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O MEU AVÔ POETA E O SEU TARRAFAL

Escrito em 20 de setembro de 2020

Nesta compulsão da escrita... estes dias tenho revivido vezes sem conta a imagem do meu avô paterno, fechado no seu anexo, em frente à máquina de escrever e rodeado de folhas rascunhadas pelo chão.

A sua necessidade e a sua angústia de colocar para fora o que sentia era tão fascinante.

Maior parte dela fruto do que sentiu durante a sua cárcere no Tarrafal, e tudo o que lhe deu origem.

Nem quero imaginar a sua solidão... sem Facebook, e casado com a pessoa mais materialista que já conheci até hoje.

Toda a tua gente achava uma grande seca quando vinhas com os olhos brilhantes, e o poema ainda quente impresso na folha... a folha que poderia não viver para sempre.

Não foste capaz de fazer o desapego ... 😉

Mas pensando bem... não precisavas... já nasceste desapegado.

Cada dia que passa compreendo-te melhor.

Obrigada pela tua permanente doçura.

Carmencita


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